A 1ª DP (Delegacia de Polícia) investiga a clínica DaVita Campo Grande após 13 pacientes passarem mal durante sessão de hemodiálise realizada em 27 de abril. Além da morte de um homem de 62 anos — três dias depois, por infecção bacteriana — pacientes relatam uma segunda morte ligada ao caso nesta segunda-feira (18). Outras pessoas seguem internadas desde o fim do mês passado.
Murilo Medeiros – Midia Max
Além da Polícia Civil, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) apura denúncia sobre as condições sanitárias da unidade de saúde, na Rua 13 de Maio, bairro São Francisco. A Vigilância Sanitária Estadual acompanha a situação e autuou a clínica após encontrar irregularidades em fiscalização.
No dia 27 de abril, várias pessoas precisaram de socorro médico ao mesmo tempo. Um deles, morador de Aquidauana, de 62 anos, morreu no dia 30, internado em hospital da Capital. Na certidão de óbito, a causa da morte foi registrada como “septicemia bacteriana e pneumonia”. A família pretende procurar a polícia.
Nesta segunda-feira (18), pacientes renais da clínica DaVita tomaram conhecimento de que uma mulher também teria morrido após passar mal, no dia 27 de abril.
Polícia investiga
O delegado Danilo Mansur, da 1ª DP, informou ao Jornal Midiamax que a investigação está em fase preliminar. “A gente ficou sabendo dessas pessoas que passaram mal e da pessoa que faleceu e, imediatamente, pedi para o pessoal da investigação correr atrás para entender o que aconteceu”, explica.
Segundo ele, ainda não foi instaurado procedimento oficial de investigação porque a delegacia aguarda mais informações. Até a manhã desta terça-feira (19), nenhum boletim de ocorrência havia sido registrado, e a polícia espera que familiares ou pacientes lesados procurem a delegacia.
“Temos essa preocupação em fazer a investigação corretamente e evitar que isso se repita. É um caso grave, muito grave”, conclui o delegado Danilo Mansur.
Vigilância Sanitária e MPMS
Agentes da Vigilância Sanitária Estadual visitaram a clínica no dia 7 de maio e encontraram irregularidades que levaram à autuação do serviço. A clínica segue sob monitoramento e precisará corrigir falhas, segundo a Vigilância. O relatório da fiscalização está com o Ministério Público.
A Vigilância Sanitária Estadual não divulgou mais detalhes sobre as irregularidades encontradas durante a fiscalização, alegando que, “infelizmente”, não poderia fazê-lo “devido à lei de proteção de dados”.
Já o MPMS pediu informações e documentos à Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), à Vigilância Sanitária Estadual e à própria clínica. Eles pretendem apurar condições sanitárias, protocolos de biossegurança, eventual investigação epidemiológica em curso, ocorrência de infecção e medidas administrativas já adotadas.
Agora, a 76ª Promotoria de Justiça de Campo Grande aguarda as informações solicitadas para iniciar análise. “A partir desses elementos, poderão ser adotadas as medidas cabíveis, inclusive a eventual instauração de inquérito civil”, informa o MPMS.