Transexual de Bonito comemora título de eleitor com nome social: ‘Isso significa muito para todas nós’

Para Di Anna, transexual de 36 anos, ter o nome social nos documentos pessoais é uma vitória. Para isso, em 2018, ela entrou com uma petição junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TRE), solicitando a inclusão de seu nome social no título de eleitor. Na última semana, o processo terminou e ela já está com o documento.

Por Lucas Oliver*, G1MS

Formada em Análises de Sistemas e Filosofia, Di Anna trabalha como consultora de negócios e digital influencer, em Bonito (MS), a 278 km de Campo Grande. Ela escolheu o nome porque ele “representa a força e a pureza do ideal feminino”, e fez questão de tê-lo em seu documento eleitoral por conta dos constrangimentos que já passou em locais de votação.

“Em uma ocasião, trabalhei como técnica de urna, e a pessoa que estava na zona eleitoral, mesmo sabendo meu nome social, fez questão de me chamar pelo nome de nascimento. Foi de propósito, para me constranger. Agora acabou o constrangimento”, relembra.

Ao G1, Di Anna conta que o título de eleitor foi o primeiro dos documentos a ser mudado, mas, já iniciou o processo para mudança de nome e gênero de todos os documentos pessoais, que são permitidos por lei. Ela vê no próprio exemplo uma forma de levar informação para outras pessoas que sentem-se constrangidas por não serem chamadas pelo nome social.

“Em nome de muitas transexuais que vivem reprimidas, digo que isso significa muito para todas nós, sobretudo para a representatividade”, explica.

De acordo com Di Anna, as pessoas são mal informadas quanto aos seus direitos. — Foto: Arquivo pessoal

De acordo com Di Anna, as pessoas são mal informadas quanto aos seus direitos. — Foto: Arquivo pessoal

Facebook Comments